Anônimo
Havia flores em todo o casarão, em toda a casa sentia o aroma das rosas, rosas de diversas cores: vermelhas, rosas, amarelas.., isso foi exigência de minha avó que era muito supersticiosa e exigia que seguisse todos os rituais, ela dizia que as rosas me trariam muita felicidade, como nos bons anos em que ela havia vivido com meu avô naquela mesma casa onde estava me casando. Era mês de maio, com o início da primavera o jardim também estava todo florido, nunca tinha visto um lugar tão lindo quanto aquele. No quarto em que eu estava tinha mais de dez mulheres só para ajeitar a calda do meu vestido, que levou três meses para ficar pronto, era uma emoção indescritível. Era apavorante pensar que teria que sair de casa, que viveria outra vida longe dos meus pais, mas também era emocionante pensar que dali a diante eu viveria uma nova vida, constituiria uma nova família e acordaria o resto dos dias de minha vida ao lado do homem que amava. A cerimônia foi perfeita, no jardim foi montado um altar, no final da missa não havia quem não tivesse chorado. Após o casamento fomos para o Rio de Janeiro e em um hotel bem requintado tivemos nossa primeira noite de amor. Lá ficamos durante uma semana, visitamos o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, a praia de Copacabana e vivemos longos dias de amor. No nosso primeiro mês de casados alugamos um apartamento para morar, pois nossa casa ainda estava em construção, mas no mês seguinte já nos mudamos para ela, vivíamos uma eterna lua de mel, até que com um ano de casados soube que estava grávida, ele ficou radiante, pois sempre sonhou em ter um filho homem para que pudesse levar aos jogos de futebol, mas três meses depois soube que estava grávida de uma menina, percebi que ficou desapontado, mas ele negou, disse que seria ótimo, ao menos ela me faria companhia pois eu ficava o dia todo sozinha em casa.
O tempo foi passando e a gente se amando, minha filha nasceu, seu nome foi escolhido pelo pai, em homenagem a sua mãe. Ela cresceu e com 4 anos entrou na escolinha lembro que ela voltava todo dia entusiasmada cantando uma nova música que havia aprendido, mas meu marido andava estressado, não tinha paciência para nada. Quando a pequena começava a cantar ele xingava, dizia que queria sossego e que naquela casa não encontrava mais aquilo. Apesar de tudo eu ainda o tratava com muito carinho e amor.
Teve uma noite em que ele chegou em casa tarde, não atendia meus telefonemas, e também não havia me dito que iria sair, comecei a ficar preocupada, pensando que tivesse acontecido alguma coisa, pois era a primeira vez que ele demorara tanto pra chegar, mas quando chegou ele estava bêbado e fora de si, chegou batendo a porta e me xingando quando percebi ele estava na minha frente me dando um tapa na cara, tentei fugir, mas não consegui me libertar daqueles braços fortes, onde um dia quis sempre estar junto, ele me jogou no chão, onde um dia nos deitamos para juntos assistir um filme, mas desta vez ele me chutou, descontando em mim todo o seu ódio e sua raiva, não gritei, com medo de que minha filha acordasse e ainda visse a deprimente situação em que sua mãe se encontrava, apenas fiquei ali, chorando e sofrendo, como um saco de pancadas eu vi o homem que amava me batendo.
Essa sena se repetiu por diversas vezes, e ele chegava cada vez mais tarde, a gente não conversava mais, ao menos com nossa filha ele ainda se dava bem. Passei a dormir no quarto de minha filha, quando davam nove horas me trancava no quarto com ela.
Eu não entendia essa reação dele, porque ele agora fazia isso? Seria infidelidade? Ele havia se cansado de mim? Juro que não entendo.
Decidi, que não iria mais suportar aquilo, então procurei a mãe dele, o que só piorou as coisas, pois quando ela conversou com ele sobre o assunto ele ficou muito mais alterado, chegou em casa e exigiu que abrisse a porta do quarto, então fui mais uma vez espancada. Eu não conseguia mais sair na rua e minha filha já havia percebido que tinha algo errado, pois eu sempre estava com a pele roxa, mas eu dizia para ela que era apenas “uma maquiagem nova que a mamãe comprou”.
Certo dia nós dois sentamos para conversar, e eu o lembrei dos bons tempos que passamos juntos e ele se lastimou, ele disse que eu havia mudado muito, que não era a mesma com que ele havia se casado, que havia me acomodado. Mas não era bem assim, ele sim que havia mudado, e muito, no fim da conversa ele disse que tentaria mudar, mas que eu também deveria me “comportar” e obedecê-lo.
Ele não mudou, não tenho mais a quem me recorrer ainda o amo e tento lhe obedecer, vivo por minha filha e na esperança que ele um dia volte a me dar valor.
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Muito bom.Só fiquei com pena da personagem que vai continuar a sofrer indefinidamente ,se não der um basta na situação.
ResponderExcluirSugira uma solução.